domingo, 11 de outubro de 2026

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Governo Lula resiste a classificar facções criminosas como terroristas

Gestão petista se opõe a equiparar PCC e Comando Vermelho ao terrorismo, na contramão de projetos da oposição no Congresso

Por Redação
Governo Lula resiste a classificar facções criminosas como terroristas
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se posicionado contra propostas que buscam classificar facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A resistência do Planalto reacendeu o embate com a oposição no Congresso, que defende endurecimento da legislação diante do avanço do crime organizado em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e na região amazônica. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, declarou publicamente que equiparar facções a grupos terroristas seria "um equívoco técnico e jurídico", argumentando que a Lei Antiterrorismo (13.260/2016) foi desenhada para crimes com motivação política, ideológica ou religiosa — e não para grupos cuja finalidade é o lucro com atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas. CRÍTICAS À POSIÇÃO DO PLANALTO Parlamentares de oposição e especialistas em segurança pública avaliam que o argumento do governo ignora a realidade operacional das facções, que hoje controlam territórios, impõem toques de recolher, executam agentes públicos, atacam instituições do Estado e financiam campanhas eleitorais. Para esses críticos, há uma contradição evidente: o governo reconhece a gravidade do problema, mas recusa ferramentas mais duras de enfrentamento. "Não dá para tratar quem decapita policial, queima ônibus com passageiros dentro e domina cidades inteiras como criminoso comum. Isso é terrorismo, e o governo Lula prefere proteger uma narrativa ideológica a proteger a população", afirmou um deputado da oposição durante sessão na Câmara. O PROJETO QUE INCOMODA O GOVERNO Tramita no Congresso o PL 1.283/2025, que propõe enquadrar organizações como PCC, CV e milícias na Lei Antiterrorismo, ampliando penas, permitindo bloqueio internacional de bens e facilitando cooperação com agências como o FBI e a DEA. O texto tem amplo apoio da bancada da segurança pública, mas enfrenta resistência da base governista. O receio do Planalto, segundo interlocutores, é que a classificação possa ser usada como justificativa para intervenções estrangeiras, comprometer a imagem do Brasil em fóruns internacionais e afetar a política externa do governo, especialmente na relação com países vizinhos. AVANÇO DAS FACÇÕES Relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Ministério Público apontam que o PCC já opera em todos os estados brasileiros e em mais de 20 países. O Comando Vermelho expandiu domínio sobre comunidades no Rio de Janeiro e avançou sobre áreas de garimpo ilegal na Amazônia. Em ambos os casos, o uso de fuzis, drones armados e execuções públicas se tornou rotina. Para analistas, a recusa do governo Lula em endurecer a classificação penal das facções contrasta com o discurso oficial de combate ao crime organizado e tende a se tornar um dos principais pontos de desgaste político da gestão na pauta de segurança pública. O QUE DIZ O GOVERNO O Ministério da Justiça reforça que prefere fortalecer a Lei das Organizações Criminosas (12.850/2013) e ampliar investimentos em inteligência policial, em vez de criar novas tipificações. A oposição, no entanto, classifica a postura como "leniência" e promete pautar o projeto antiterrorismo nas próximas semanas.
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